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	<title>Mariana Leme</title>
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	<pubDate>Thu, 23 Nov 2023 21:14:31 +0000</pubDate>
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		<title>Home</title>
				
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		<pubDate>Thu, 26 Oct 2023 18:17:24 +0000</pubDate>

		<dc:creator>Mariana Leme</dc:creator>

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		<title>Sobre Mariana Leme</title>
				
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		<pubDate>Thu, 06 Jan 2011 13:57:59 +0000</pubDate>

		<dc:creator>Mariana Leme</dc:creator>

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&#60;img width="1280" height="720" width_o="1280" height_o="720" data-src="https://freight.cargo.site/t/original/i/c577a2ef1cbdedf29617f19f8e58ebe618fcf16d91806f09056191c08332423c/Mariana-retrato.jpeg" data-mid="226952675" border="0"  src="https://freight.cargo.site/w/1000/i/c577a2ef1cbdedf29617f19f8e58ebe618fcf16d91806f09056191c08332423c/Mariana-retrato.jpeg" /&#62;




Mariana Leme (São Caetano do Sul, 1987) atua como curadora e pesquisadora. É bacharel em Artes Visuais (2016) e mestre em História da Arte (2021) pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, ECA-USP. Sob a orientação de Tadeu Chiarelli e com bolsa da CAPES, estudou a relação entre branquitude, cultura visual francesa e a obra de Marie Laurencin. Atualmente, cursa o doutorado na mesma instituição, com pesquisa sobre práticas curatoriais e arte colaborativa no Brasil.
Entre 2010 e 2014 trabalhou na Editora 34, onde foi responsável pela pesquisa iconográfica dos livros Artistas brasileiros na Escola de Paris: anos 1920, de Marta Rossetti Batista e Arte e meio artístico: entre a feijoada e o x-burguer, de Aracy Amaral, entre outros. Fez parte da equipe de curadoria do MASP, de 2015 a 2019, onde trabalhou na pesquisa das exposições Arte na moda: coleção MASP Rhodia (2015) e Histórias da infância (2016). Também no MASP, foi  curadora assistente de Toulouse-Lautrec em vermelho (2017), curadora de Pedro Figari: nostalgias africanas (2018, com Pablo Thiago Rocca) e de Histórias das mulheres: artistas até 1900 (2019, com Lilia Moritz Schwarcz e Julia Bryan-Wilson). 
Com os artistas Mano Penalva, Sérgio Pinzón e Yuli Yamagata, organizou as duas edições da exposição Arranjos, no SAO Espaço de arte, em 2016 e 2017. Em 2022, foi curadora de A trama do limo, dos artistas Bruno Ferreira e Eva Castiel, na Biblioteca Mário de Andrade e curadora residente na Casa Tato 5 (SP) e no Mirante Xique Xique (BA). Em 2023, foi curadora da coletiva Trânsito-tecido que reuniu 19 artistas de 10 Estados brasileiros na galeria Galpão 556 e também da individual de Renata Egreja, na Galeria Lume. Em 2024, apresentou&#38;nbsp; Interlúdio, exposição de três artistas representados pela WG galeria e a individual de Nydia Negromonte, Desenhos são como sementes debaixo de tudo, no Centro Cultural Unimed-BH Minas. Em 2025, foi responsável pela curadoria das individuais&#38;nbsp;Anna Bella Geiger — Limiar, no Museu Judaico de São Paulo (em parceria com Priscyla Gomes) e IRIDIUM, de Débora Mazloum, no Espaço Abapirá, Rio de Janeiro.
Foi residente em duas edições da bab - Bienal Anual de Búzios, coordenada desde 2007 pelo artista Armando Mattos. Em 2025, em parceria com Mattos e Renato Pera, coordenou o Seminário bab+Políticas da Indigestão, na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Também em 2025, participou da residência&#38;nbsp;Mbónonhaga, a convite da Associação Indígena Tupinikim Guarani (ES).Em 2021 e 2023, atuou como assistente editorial das 34a e 35a edições da Bienal de São Paulo, Faz escuro mas eu canto e coreografias do impossível. &#38;nbsp;Seus textos e traduções foram publicados nos periódicos Terremoto (Cidade do México), seLecT_celeste (São Paulo), Revista de História da Arte e da Cultura (Campinas/Unicamp), Journal of Curatorial Studies (Bristol), Revista Rosa (São Paulo), Arte e Ensaios (Rio de Janeiro/UFRJ), Amarello (São Paulo), Propágulo (Recife) e MADRAzine (Lisboa), entre outros. Tem colaborado com ensaios para exposições em galerias e espaços culturais como Janaina Torres (São Paulo), Felix Frachon (Bruxelas), Mendes Wood DM (São Paulo/Bruxelas/Nova York), ArteFasam (São Paulo/Belo Horizonte) Karla Osório (Brasília), Llano (Cidade do México), Lume (São Paulo), Zipper (São Paulo), Martins&#38;amp;Montero (São Paulo/Bruxelas), quadra (Rio de Janeiro/São Paulo) e Casa de Cultura do Parque (São Paulo). É interlocutora frequente de diversos artistas.



	




	













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		<title>exposicoes</title>
				
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		<pubDate>Thu, 23 Nov 2023 21:14:31 +0000</pubDate>

		<dc:creator>Mariana Leme</dc:creator>

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		<description>Débora Mazloum, IRIDIUM, 2025
Anna Bella Geiger — Limiar, 2025Desenhos são como sementes debaixo de tudo, 2024Interlúdio, 2024Renata Egreja: uma crônica mole, 2023

Trânsito-tecido, 2023A trama do limo, 2022Camadas, 2022Os encontros, as contingências, 2021Histórias das mulheres: artistas até 1900, 2019
Mulheres à frente, 2019
Pedro Figari: nostalgias africanas, 2018
Arranjos, 2017
Toulouse-Lautrec em vermelho, 2017
Arranjos, 2016

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		<title>Trânsito-Tecido</title>
				
		<link>https://marianaleme.cargo.site/Transito-Tecido</link>

		<pubDate>Sat, 05 Aug 2023 13:48:01 +0000</pubDate>

		<dc:creator>Mariana Leme</dc:creator>

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		<description>Trânsito-tecidoGalpão 556, São Paulo27 de maio a 5 de agosto de 2023

&#38;nbsp;

Artistas: Alice Yura, Aline Motta, Anna Guerra, Bárbara Milano e Nazaré Soares, Cecília Lima, Élle de Bernardini, Eva Castiel, Fabia Escobar, Flora Rebollo, Glicéria Tupinambá e Fernanda Liberti, Patricia Baik, Luara Macari, Luiza Caldari, Neuza Petti, Nita Monteiro, Taly Cohen e Sofia Saleme









&#60;img width="2346" height="1564" width_o="2346" height_o="1564" data-src="https://freight.cargo.site/t/original/i/0459d605ccd2c7f631e80d475f43bd5934a6c2ebe15082faca3600867d9d2443/_MG_7494-copy.jpg" data-mid="194840365" border="0"  src="https://freight.cargo.site/w/1000/i/0459d605ccd2c7f631e80d475f43bd5934a6c2ebe15082faca3600867d9d2443/_MG_7494-copy.jpg" /&#62;

Fotos: Filipe Berndt

Trânsito-tecido, ou habitar o mundo é estar em movimentoReunindo artistas de diversas gerações e regiões do país, a exposição Trânsito-tecido tem como questão central o movimento, físico e metafórico. São artistas que, em seus trabalhos, tratam do resgate da memória — pessoal e coletiva —, da construção de identidades e também dos lugares, quase sempre instáveis, que os seres ocupam no mundo.
Tecido diz respeito ao material com o qual são feitas algumasdas obras, mas também às tramas construídas ao longo de gerações: tecido é maleável e resiliente, feito a partir da junção de muitos fios ou fragmentos. Também remete à mitologia ocidental que, desde o século 19, passou a associar o trabalhodas mulheres ao artesanato — ideologia misógina e frequentemente racista — que vem sendo ressignificada nos últimos anos.
Assim, tal qual a aranha de Louise Bourgeois que refaz pacientemente seus fios rompidos, a arte contemporânea pode ser um importante espaço de reparação e da construção de imaginários renovados.
Alice Yura apresenta uma fotoperformance em que se vê seu próprio corpo em movimento, numa paisagem cintilante. São lampejos, quem sabe, de histórias possíveis, em processo, nunca acabadas. Cecília Lima também trata do movimento, e de seu corpo que se desloca pelas estradas que cortam o Brasil. Nesse trânsito, a artista desenha os veículos que levam produtos sem cessar, e os registros são quase notações de uma dança, cujos traços registram o movimento do automóvel.
Uma outra espécie de dança está no trabalho de Aline Motta, uma quilt bordada em homenagem a Oxum, rainha das águas doces, dos rios e cachoeiras. Na língua yorubá, Omi Tutu significa “água fresca”, e o tecido leve se movimenta no ar. Ao seu lado, Bárbara Milano e Nazaré Soares mostram um objeto afetivo, feito com rede de pesca e dezenas de bonecas abayomi, que, também em língua yorubá, significa “encontro precioso” e nomeia a obra. Numa referência à viagem transatlântica de africanos e africanas que foram sequestrados de suas terras, as pequenas bonecas lembram — e honram — histórias de resistência e reafirmam o desejo de inventar um mundo baseado em critérios inteiramente diferentes.
As aquarelas de Neuza Petti lembram territórios vistos de cima, cujas fronteiras são permeáveis, e uma xilogravura sugere caminhos que, sobrepostos, se transformam mutuamente. Anna Guerra cria pinturas com tinta a óleo, cera de abelha e tecido rasgado, um tributo às festas populares marcadas pela alegria da música e das danças coletivas, que quase sempre têm um sentido marcadamente político. Ao seu lado, está o vídeo de Glicéria Tupinambá e Fernanda Liberti, que também registra uma dança: Glicéria e seu filho, Eruthawã Tupinambá, vestem o tradicional manto de seu povo, cujos exemplares históricos também foram sequestrados e hoje se encontram em instituições europeias — mas a artista trouxe de volta a própria essência do manto, sua sabedoria ancestral e seu movimento. A dança, nesse caso, representa o desmanche da concepção colonial, profundamente limitada e violenta, que via os mantos, e toda uma cultura, como se fossem objetos estéticos.
O óleo nas monotipias de Luara Macari impregnaram o papel nos quais foi depositado, sugerindo um movimento contínuo do qual não se sai incólume. A princípio aplicado em vidro, o pigmento foi deslocado, alterando não apenas as característicasda imagem, mas do próprio suporte. Taly Cohen apresenta obras com trançados de rede de proteção, fitas, tecidos e fragmentos de madeira, em parceria com o projeto Cerzindo, que acolhe imigrantes e pessoas emsituação de refúgio na cidade de São Paulo. O tecido, nesse caso, é a matéria-prima para o fortalecimento de laços e a criação de novas histórias de vida das pessoas que, assim como os avós da artista, se viram obrigados a deixar os lugares de origem. Num sentido semelhante, Eva Castiel imagina fronteiras-paisagens que são formadas por muitas camadas e materiais: encáustica, fotografia e papéis recortados que lembram grades, mas são visivelmente frágeis. A fronteira, aparato rígido de controle, parece prestes a se desmanchar.
Talvez seja possível dizer que a própria linguagem é uma espécie de fronteira, ainda que movediça, que pretende circunscrever um número limitado de sentidos compartilhados em uma dada comunidade. Élle de Bernardini inventa um vocabulário novo, e o inscreve em pedaços de couro dourados, cujos significados permanecem em aberto; misteriosos caracteres na superfície cintilante que cobre aquilo que um dia foi pele. Pele: tecido mole que, em outro trabalho, se faz com meias coloridas e sugere que o corpo — simbólica e materialmente — é muito mais maleável que a linguagem que busca defini-lo. O corpo e suas histórias são impermanentes, como na obra de Sofia Saleme, em que uma imagem de contornos fluidos está impressa em cetim, cuja forma se molda no ar. A leveza do tecido parece se fundir com a imprecisão do desenho, e seu significado provisório depende sempre de quem observa. 
Patrícia Baik representa em pintura o parélio, fenômeno óptico que forma pontos luminosos ao redor do sol, e nos convida aimaginar — justamente a partir da imagem que fixa este efeito diáfano — a complexidade do universo em que estamos inseridos. Em outra obra, uma estrela explode e, ao mesmo tempo, permanece. Vidas não humanas, uma explosão de cor e a sugestão de voltas ao mundo em movimento espiralar estão nas obras de Flora Rebollo. Camadas de tinta, batom e óleo criam microcosmos que, embora diminutos, parecem estar também prestes a explodir, apontando para um futuro iminente que é muito maior do que aquilo que se vê.
Outra quilt presente na exposição, de Nita Monteiro, traz uma série de bordados sugerindo paisagens e gravuras em metal queretratam as fases da lua, bem como uma série de objetos costurados, como cacos de cerâmica e tufos de lã. Mais uma vez, aquilo que nos circunda é muito maior do que se pode apreender, e está sempre em movimento. Cacos cerâmicos e fragmentos demadeira se juntam no trabalho de Fábia Escobar, formando uma composição possível dentre muitas outras. A princípio descartáveis (e descartados), os fragmentos carregam em si o potencial de ressignificação deles mesmos, o que só é possível a partir do encontro. Por fim, uma espécie de máscara mole de Luiza Caldari parece acompanhar o espectador de longe, como se fosse cúmplice de seu trânsito e das relações estabelecidas no percurso.
As alianças tecidas podem ser provisórias, conflituosas, benéficas, duradouras ou ambíguas. Mas todas elas guardam em si o princípio da transformação, do qual nenhuma vida — humana ou não humana — sai ilesa. E, num sentido cósmico, nem mesmo a morte física dos seres é capaz de impedir o movimento, sempre em trânsito, em trama.






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		<title>A Trama do Limo</title>
				
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		<pubDate>Mon, 26 Dec 2022 19:08:03 +0000</pubDate>

		<dc:creator>Mariana Leme</dc:creator>

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A trama do limo
12 de novembro de 2022 - 29 de janeiro de 2023

Biblioteca Mário de Andrade, São Paulo
Artistas: Bruno Ferreira e Eva Castel
Folder disponível&#38;nbsp; [aqui]



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A trama do limo, ou a vida que brota das ruínas
Um volume grande e amorfo de terra úmida parece ter caído numa sala da Biblioteca Mário de Andrade, mas ficou preso por cintas amarelas. Nele, alguns cogumelos brotam. Caracóis-autômatos vagam pelo chão, emitindo um leve ruído metálico. A trama do limo, exposição de Bruno Ferreira e Eva Castiel, pode ser descrita como uma espécie de cena de teatro distópico, ainda que bem-humorada. 



Se a ideia da destruição do planeta por um meteoro faz parte da cultura pop, entre a comunidade científica há o consenso de que a vida na Terra está seriamente ameaçada por uma causa interna: a espécie humana. Um dos conceitos frequentemente utilizados para descrever o fenômeno é o de Antropoceno, segundo o qual o ser humano teria alterado tão profundamente as características do planeta a ponto de inaugurar uma nova era geológica. A ameaça externa e a interna — ainda que pareçam opostas — têm em comum a centralidade da espécie que, de um lado, corre o risco de ser extinta como os dinossauros ou, de outro, que soberbamente foi responsável pela própria destruição. 

No entanto, afirma a antropóloga Anna Tsing,

Esse antropo- nos impede de dar a devida atenção para as manchas nas paisagens, as temporalidades múltiplas e as assembleias instáveis entre humanos e não humanos, a matéria mesma da sobrevivência colaborativa.[1]

A trama do limo dialoga com esses dois aspectos da catástrofe presentes na cultura contemporânea: a fantasia da destruição do mundo por um corpo implacável que vem dos céus — materializado como um grande torrão suspenso — e os desequilíbrios ecológicos cada dia mais evidentes, representados e comentados. Os artistas, no entanto, sugerem um deslocamento de perspectiva que, quando enunciado, pode parecer óbvio: o fim da espécie humana não significa, necessariamente, o fim do mundo. 

Em termos políticos, Tsing convida-nos a considerar que “As vidas incontroláveis dos cogumelos são uma dádiva — e um guia — quando o mundo que imaginávamos ter controlado fracassa”.[2] O mundo, na verdade, não é “controlável”. No limo da terra interagem um sem-número de espécies; os fungos, dos quais podem brotar cogumelos, dia após dia, transformam a matéria morta em vida, disponibilizando nutrientes para outras espécies e estabelecendo uma complexa rede subterrânea de comunicação e interdependência. Os encontros, frequente e aleatoriamente podem se tornar “acontecimentos”, cujos efeitos — como a criação de uma nova forma de vida — são “maiores do que a soma de suas partes”.[3]

O meteorito dos artistas é feito de terra fértil, de onde esparsos cogumelos brotam lentamente, em contraste com os caracóis que andam apressados — o contrário do que seria de se esperar quando ainda eram habitados por lesmas. A gosma que arrastavam no chão está ausente. Nesse sentido, os trabalhos sugerem que a vida insiste em nascer no interior do objeto da destruição, e não apesar dele, como se materializasse a “sobrevivência colaborativa em tempos de precariedade”.[4]

A Trama do limo pode ser considerada também como uma anti-paisagem, ou ainda uma espécie de natureza-viva, num diálogo com categorias da história da arte ocidental que, durante algumas centenas de anos, foram tidas como inequívocas.


No século XVII, as academias de belas-artes estabeleceram que a paisagem era o segundo mais baixo gênero na hierarquia da pintura, perdendo apenas para as naturezas-mortas. A paisagem — e, por metonímia, a própria natureza — era percebida como apanágio do ser humano. Segundo Charles Baudelaire, talvez o mais influente crítico do século XIX, se uma paisagem “é bela, não o é por si mesma, mas por mim, por minha própria graça, pela ideia ou sentimento a que a ela [eu] associo”.[5] Conceitualmente, o sentido de suas palavras não parecem tão distantes do Antropoceno, segundo o qual o ser humano teria alterado o mundo “por sua própria graça” — e talvez de maneira irreversível.

As pinturas de natureza-morta são composições com arranjos de flores, frutas, caracóis, víveres e objetos inanimados, que trazem frequentemente um sentido moral, remetendo à brevidade da vida: as flores murcharão em breve, os pescados apodrecerão, a areia de uma ampulheta vai se depositar no frasco de vidro, assim como o espectador da pintura vai perecer. Por outro lado, são também uma celebração da supremacia do homem europeu, para o qual estariam à disposição tudo e todos considerados “natureza”, celebração da riqueza de alguns e estímulo para os sentidos de seus corpos. Porém, do ponto de vista dos fungos e da pulsante vida interespécie, uma flor apodrecida não significa apenas a morte daquele ser, mas também a possibilidade de redistribuição de nutrientes. 

A trama do limo, em sua ambiguidade, sugere uma rede de existências interdependentes — o que não quer dizer pacíficas — e uma conspiração. É como se os fungos que brotam do grande volume de terra e os caracóis-autômatos nos dessem um recado, às avessas daquele das naturezas-mortas: o Homem ocidental está morrendo. De suas ruínas, nascerão infinitas possibilidades de associações, encontros, disputas e — por que não? — acontecimentos.&#38;nbsp; 




Notas
[1] TSING, Anna L. O cogumelo no fim do mundo. Sobre a possibilidade de vida nas ruínas do capitalismo. São Paulo: n-1, 2022, p. 63. Tradução de Jorgge Menna Barreto e Yudi Rafael.
 [2] Idem, p. 40.
[3] Idem, p. 68.
[4] Idem, p. 41.
[5]&#38;nbsp;“Salão de 1859” apud&#38;nbsp;LICHTENSTEIN, Jacqueline (org.). A pintura: textos essenciais. Vol. 10: os gêneros pictóricos. São Paulo: Editora 34, 2008, p. 124. Tradução de Magnólia Costa.
 Imprensa
Madame M., “O retorno do surreal?”&#38;nbsp;
Revista seLecT_ceLesTe, vol. 12, nº 58, jun-ago, 2023
&#60;img width="2560" height="1677" width_o="2560" height_o="1677" data-src="https://freight.cargo.site/t/original/i/82792220bb2602639998541c7afe7c9b239e7d850e22c9c7ff52fbefb756d94c/58_select_celeste_dupla_pagina_33-scaled.jpg" data-mid="197765519" border="0"  src="https://freight.cargo.site/w/1000/i/82792220bb2602639998541c7afe7c9b239e7d850e22c9c7ff52fbefb756d94c/58_select_celeste_dupla_pagina_33-scaled.jpg" /&#62;&#60;img width="2560" height="1676" width_o="2560" height_o="1676" data-src="https://freight.cargo.site/t/original/i/6043062c9d1eccadeffc8f3588f6fffdf09bb38fa979395bb5326b35f6c9fb16/58_select_celeste_dupla_pagina_34-scaled.jpg" data-mid="197765520" border="0"  src="https://freight.cargo.site/w/1000/i/6043062c9d1eccadeffc8f3588f6fffdf09bb38fa979395bb5326b35f6c9fb16/58_select_celeste_dupla_pagina_34-scaled.jpg" /&#62;
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		<title>Casa Tato - Camadas</title>
				
		<link>https://marianaleme.cargo.site/Casa-Tato-Camadas</link>

		<pubDate>Mon, 02 May 2022 17:35:11 +0000</pubDate>

		<dc:creator>Mariana Leme</dc:creator>

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Camadas
30 de abril - 29 de maio de 2022
Galeria Tato, São Paulo 

Artistas: Caíque Costa, Consuelo Vezarro, Eliane Gallo, Federico Guerreros, Justino, Liane Abdalla, Lucas Quintas, Lucy Copstein, Márcia Rosa, Patricia Lopes, Renata Sandoli, Sara Bittante, Sofia Saleme e Sheila Ortega.


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CamadasA exposição inaugural da Casa Tato 5 tratou de encontros, ao mesmo tempo estimulantes e fortuitos, entre os 14 artistas participantes do programa. Seis meses depois, há o acúmulo de experiências, trocas e novas possibilidades, como se fosse serapilheira — a camada fértil de matéria orgânica que se deposita e se decompõe no solo da floresta. Camadas traz um conjunto de reflexões sobre aquilo que nos cerca e que nos é constitutivo: natureza, comunidades e parcerias, húmus, água, nutrientes. 


Quatro espelhos bastante comuns de Caíque Costa recebem os visitantes para a exposição, indicando que, de alguma maneira, fazem parte dela. Ao lado, Liane Abdalla apresenta pinturas e desenhos sobre madeira, que mimetizam seus veios: obras em que a matéria é mais que suporte. Sara Bittante representa todo o universo que há embaixo d’água e também os organismos que insistem em sobreviver em meio à destruição, dialogando com uma tradição construtiva da arte brasileira; Márcia Rosa chama de Plástico uma aquarela com peixes, ao mesmo tempo exuberantes e com a aparência de estarem mortos; investiga fragmentos de uma árvore e imprime flores numa prensa que, iluminadas criam um estranho organismo. Nas pinturas de Consuelo Vezarro, formas geométricas parecem dançar no espaço, fluidas, feitas de pigmentos&#38;nbsp;naturais. Juntas, as obras do mezanino formam um&#38;nbsp;conjunto de visões sobre a natureza — real&#38;nbsp;e imaginada —, sugerindo algo incompleto, em constante transformação.





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Na primeira sala, a questão humana é abordada de maneira mais evidente, mas igualmente incompleta, com&#38;nbsp;os interiores vazios de Federico Guerreiros, nos quais a luz&#38;nbsp;entra sem que ninguém as&#38;nbsp;veja; as fotografias-montagens de Caíque Costaque registra os passos na areia,&#38;nbsp;marcas que rapidamente se apagam&#38;nbsp;na paisagem. Lucas Quintas convida os espectadores a moverem os pesos suspensos, criando desenhos no espaço. Um pequeno São Jorge de Justino e um grande painel de pessoas imaginadas, trazem reflexões sobre saúde, bem-estar, medos e dúvidas, sentimentos aguçados pela recente pandemia. Esculturas moles e diáfanas de Eliane Gallo parecem suspender, ainda mais, as certezas. A materialidade das obras opera como uma metáfora para as camadas de tempo e dememória.

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Na segunda sala, há um mergulho nas entranhas do corpo, físico e social. Sofia Saleme trata de acidentes, adoecimento e resiliência. A folha de ouro nos desenhos remete à tradição japonesa de lidar com o imperfeito, comas fraturas que se acumulam ao longo da vida. (Mas, no Brasil, como não pensar no acúmulo de mercúrio que o garimpo de ouro promove, nos corpos já fragilizados, nas águas, nos animais?) Lucy Copstein traz reflexões sobrea história, que não é universal, mas fragmentada — e muitas vezes violenta —, inscrita em objetos cotidianos e (aparentemente) banais. Lucas Quintas entrelaça fios coloridos de polipropileno para criar ilusões ópticas, em queas cores se misturam apesar de permanecerem intactas. Há outras duas obras de Liane Abdalla , que trazem o&#38;nbsp;movimento vivo do interior da madeira; Patrícia Lopes rememora uma viagem à África do Sul, em camadas de pinturas, texturas e transparências, como se&#38;nbsp;aquela experiência&#38;nbsp;se tornasse pele.

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Ao final, Sheila Ortega materializa o acúmulo fértil e instável: empilha objetos de várias naturezas numa instalação que estabelece relações com o entorno. Objetos encontrados no bairro e oferecidos pelos artistas da Casa juntam-se àqueles acumulados ao longo do tempo. Apesar de efêmera, a obra também se fixa em pintura, criandoum estranho rebatimento, como um espelho distorcido. Renata Sandoli reflete sobre a vida interior das mulheres eo contraste com sua existência na superfície das imagens. Não por acaso, elas são jovens, magras e brancas, comonas capas de revista. Nesta última sala, há outro trabalho com os fios coloridos de Lucas Quintase também outra pintura da&#38;nbsp;série&#38;nbsp;África, dePatrícia Lopes. Em ambos os casos, há um sutil deslocamento de significado, que se estabelece a partir das relações entre as obras, que nunca existem isoladas do mundo e daquilo que as cerca.
Camadas sugerem que as relações entre&#38;nbsp;obras, pensamentos, pessoas, animais e objetos interagem constantemente,e que nenhum significado é inequívoco. Mostra o resultado de seis meses de trabalho dos artistas e aponta para novas possibilidades de arranjos; futuras camadas que também se&#38;nbsp;assentarão no solo fértil.

Fotos: Paulo Pereira







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		<title>Casa Tato - Os encontros</title>
				
		<link>https://marianaleme.cargo.site/Casa-Tato-Os-encontros</link>

		<pubDate>Wed, 01 Dec 2021 15:12:16 +0000</pubDate>

		<dc:creator>Mariana Leme</dc:creator>

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Os encontros, as contingências19 de novembro -&#38;nbsp; 20 de dezembro de 2021
Galeria Tato, São Paulo

Artistas: Caíque Costa, Consuelo Vezarro, Eliane Gallo, Federico Guerreros, Justino, Liane Abdalla, Lucas Quintas, Lucy Copstein, Márcia Rosa, Patricia Lopes, Renata Sandoli, Sara Bittante, Sofia Saleme e Sheila Ortega.


&#60;img width="5000" height="3333" width_o="5000" height_o="3333" data-src="https://freight.cargo.site/t/original/i/90842aebfd730f69e575f37740747a8bbc6b8f880be0c0d20a5c6aaed0974890/_MG_9976_o.jpeg" data-mid="194840413" border="0"  src="https://freight.cargo.site/w/1000/i/90842aebfd730f69e575f37740747a8bbc6b8f880be0c0d20a5c6aaed0974890/_MG_9976_o.jpeg" /&#62;



Os encontros, as contingências
Definitivamente não somos iguais, e émaravilhoso saber que cada um de nós que estáaqui é diferente do outro, como constelações. O fato de podermos compartilhar esse espaço,de estarmos juntos viajando não significa quesomos iguais; […] significa exatamente quesomos capazes de atrair uns aos outros pelasnossas diferenças, que deveriam guiar o nosso roteiro de vida. — Ailton KrenakA exposição Os encontros, as contingências apresenta os artistas da Casa Tato 5 e sinaliza, a partir dos diálogos entre as obras — e delas com o espaço projetado por Rino Levi — algumas estratégias colaborativas, efêmeras e fluidas, instáveis. Não o idílio de um “coletivo” estático, mas a polític a em seu sentido mais generoso, os arranjos possíveis e, às vezes, imprevisíveis. Como equilibrar-se no mundo e em sociedade? O equilíbrio pode ser também um constante movimento. Como assumir a fragilidade (o engodo) da visão ocidental branca, masculina e extrativista, que se coloca acima de tudo e deseja um mundo homogêneo, monocultura de espécies humanas e não-humanas? As constelações, de que fala Krenak, podem sinalizar um futuro possível.Esta pequena constelação de artistas e trabalhos assume agora aseguinte forma: Caíque Costa cria imagens borradas, de situações cotidianas que foram profundamente afetadas nos últimos dois anos; anuncia a solidão no jornal e em pontos de grande circulação. Consuelo Vezarro cria formas vacilantes, que remetem ao abstracionismo lírico; as pinceladas em têmpera ou em acrílica bastante diluída, adicionamuma camada sensorial aos trabalhos. Eliane Gallo constrói jardins diáfanos, pequenos mundos de tecidos sobrepostos e bordados, que insistem em florescer, apesar de tudo. Federico Guerreros investiga osi nteriores, desertos, em desenhos carregados de matéria oleosa, como densos testemunhos. Justino atenta para as possibilidades da vida em Abdalla cria florestas em néon, inverossímeis e brilhantes, como se incorporassem as luzes das metrópoles, fixadas com anilina e tinta&#38;nbsp;metálica sobre madeira.
Lucas Quintas investiga os equilíbrios provisórios, as corrosões e os sutis embates que são, afinal, indícios da instabilidade da matéria. Lucy Copstein trabalha com memórias compartilhadas e anônimas; confissões fragmentadas, que se desdobramem fragmentos de sons, painéis de tecido e cacos de porcelana. Márcia Rosa propõe, em grandes formatos, uma reflexão sobre as disputas que atravessam a vida não-humana, em formas que, embora estáticas, sugerem um constante movimento da existência. Patrícia Lopes ressignifica trabalhos de décadas atrás, tendo em vista o atual momento de crise; seres antes familiares tornam-se estranhos, encapsulados em resina. Renata Sandoli revisita o tema da natureza-morta. Mais que um gênero pictórico típico do século 17, tratava-se de manifestação de luxo. Criados em 2021, trazem um gosto amargo, tendo em vista a mais recentecatástrofe social. 
Sara Bittane desconstrói e dissolve— literalmente— a forma de flores e plantas, sugerindo um comentário sobre aimpermanência e as diversas representações, ou distorções, do real. Sheila Ortegacria interiores improváveis em pintura, a partir de performances e instalações com objetos, que por sua vez ensejam a criação de pequenas esculturas em cerâmica e engobe. Sofia Saleme borda corpos dançando Butoh numa faixa de kimono marcada pelo tempo; cria microcosmos em nanquim, folha de ouro e pigmentos naturais sobrepapel Washi, refletindo sobre a passagem do tempo, a incompletude e a imperfeição.
É certo que vivemos num mundo dilacerado, mas talvez as associações fortuitas e efêmeras possam nos ajudar a imaginar um futuro menos desigual e violento. Das contingências — aquilo que nos escapa e a realidade que se impõe — podem surgir encontros e, por que não, uma sobrevivência possível porque colaborativa. Em constante movimento.
&#38;nbsp;

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		<title>Histórias das Mulheres MASP</title>
				
		<link>https://marianaleme.cargo.site/Historias-das-Mulheres-MASP</link>

		<pubDate>Sat, 31 Aug 2019 17:31:21 +0000</pubDate>

		<dc:creator>Mariana Leme</dc:creator>

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		<description>Histórias das mulheres: artistas até 1900

23 de agosto - 17 de novembro de 2019
Museu de Arte de São Paulo, MASP
com Julia Bryan-Wilson e Lilia Moritz Schwarcz






&#60;img width="2000" height="1003" width_o="2000" height_o="1003" data-src="https://freight.cargo.site/t/original/i/6137b587ab453e3eb33d40ea7b782b9a4ee3ee4abe04ddc61098ba895a705c6f/19-08-26_2612-Pano.jpg" data-mid="194840432" border="0"  src="https://freight.cargo.site/w/1000/i/6137b587ab453e3eb33d40ea7b782b9a4ee3ee4abe04ddc61098ba895a705c6f/19-08-26_2612-Pano.jpg" /&#62;


Artistas: [Anônimas] Andes, América Pré‐Colombiana, Abigail de Andrade, Sofonisba Anguissola, Marie&#38;nbsp; Bashkirtseff, Mary Beale, Marie‐Guillemine Benoist, [Anônimas] Berbere, Egito, Anna Bilinska‐Bohdanowicz, Rosa Bonheur, Olga Boznańska, Louise Breslau, Henriette Browne, Maria Emília de Campos, Mary Cassatt, Iria Candida Corrêa, Amélia Da Silva Costa, Victoria Dubourg, Chiquita Ferraz, Celia Castro Del Fierro, Clara Filleul, Lavinia Fontana, Artemisia Gentileschi, Paule Gobillard, Eva Gonzalès, Jeanne Gonzalès, Caroline Gower, Maria Graham, [Anônimas] Grã‐Bretanha, Adrienne Grandpierre‐Deverzy, Catarina Van Hemessen, Pilar De La Hidalga, Maria E. Ibarrola, Angelica Kauffmann, Leonor de Almeida Portugal De Lorena e Lencastre (Alcipe), Judith Leyster, Gadalupe Carpio De Mayora, Magdalena Mira Mena, Cornelia van der Mijn, Berthe Morisot, Emily Osborn, [Anônimas] Império Otomano, Clara Peeters, [Anônimas] Pensilvânia, Estados Unidos, [Anônimas] Punjab, Índia e atual Paquistão, [Anônimas] Rabat, Marrocos, Juliana Sanromán, [Anônimas] Santa Catarina, Brasil, Thérèse Schwartze, Maria Spilsbury, Marianne Stokes, [Anônimas] Suzani, atual Uzbequistão, Francisca Manoela Valadão, Maria Verelst, Elisabeth Louise Vigée Le Brun, Elisabeth Geertruida Wassenbergh, Michaelina Wautier, Joanna Mary Wells, Berthe Worms e [Anônimas] Yakan, Filipinas


Histórias das mulheres: artistas até 1900

A exposição Histórias das mulheres apresenta quase cem trabalhos, que datam do século 1 ao 19. Como o título indica, não se trata de uma única história, mas de muitas, narradas por meio de obras feitas por mulheres que viveram no norte da África, nas Américas (antes e depois da colonização), na Ásia, na Europa, na Índia e no território do antigo Império Otomano. 

Uma das características mais fortes desta mostra é o diálogo que se estabelece entre pinturas e têxteis, escolhidos como um suporte emblemático — afinal, a pintura também é feita sobre tecido. Com 60 pinturas, 2 desenhos e 34 tecidos de diferentes épocas e origens, Histórias das mulheres destaca trabalhos para além das categorias tradicionais das belas artes, procurando oferecer perspectivas mais amplas e mais plurais. Embora não se conheça o nome das artistas têxteis, todas as peças expostas foram produzidas por mulheres. Em muitas regiões do mundo antes de 1900, a criação de tecidos, feita manualmente, era considerado um trabalho de gênero e visto como o ideal das mulheres — da mesma forma que a pintura de belas artes era típica e idealmente feita por homens. Colocar essas duas formas de trabalho juntas demonstra a persistência do fazer das mulheres ao longo do tempo. Mesmo que os tecidos estejam excluídos das definições de arte, e de as mulheres terem sido barradas do treinamento nas academias, a exposição mostra que elas sempre fizeram arte. 

Algumas artistas tiveram carreiras de grande sucesso. Este é o caso das tecelãs da América pré-colombiana, que desfrutaram de uma posição de prestígio nas sociedades andinas, de Sofonisba Anguissola, que trabalhou para a corte espanhola no século 16, de Mary Beale, cujo marido foi seu assistente de ateliê, no século 17, de Elisabeth Louise Vigée-Le Brun que ocupou o cargo de “primeira pintora” da rainha da França, no século 18, e de Abigail de Andrade, que ganhou uma medalha de ouro no Salão de 1884, no Brasil imperial. 

Apesar disso, as mulheres representam um contingente muito menor que seus colegas homens nos manuais de história da arte, nas narrativas oficiais e nas coleções de museus. O MASP possui em seu acervo apenas duas pinturas de mulheres artistas até 1900: um autorretrato da portuguesa Leonor de Almeida Portugal de Lorena e Lencastre e um panorama da baía de Guanabara, da inglesa Maria Graham, especialmente restaurado para esta exposição. 
É difícil falar de histórias feministas antes do século 19, por isso falamos em histórias das mulheres. Mas olhar para as artistas dessa época, hoje, nos ajuda a estabelecer genealogias feministas. O encontro com essas várias precursoras — nomeadas ou anônimas, famosas e desconhecidas — nos convida, assim, a repensar as hierarquias da história tradicional, que costuma celebrar a arte como uma atividade de homens brancos e europeus. A singularidade das obras expostas mostram que a arte é muito maior e mais complexa do que se costuma imaginar.
Ensaio para o catálogo disponível [aqui]
Palestra sobre a exposição disponível [aqui]
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Fotos: Eduardo Ortega



Imprensa

Masp expõe obras raras de mulheres, O Estado de S. Paulo
Sempre foram elas, Arte!Brasileiros

Masp exibe obras de pintoras que foram ignoradas na história da arte, Folha de S.Paulo
Arte que resiste, O Estado de S. PauloNovas exposições do Masp resgatam mulheres esquecidas pela história, Gazeta do Povo
Mulheres invisíveis (e poderosas) no Masp, VejaArte feminina histórica e contemporânea ocupa o Masp em duas mostras, O GloboMulheres ignoradas na arte são temas de exposições no Masp, Casa Vogue
Masp destaca feministas e mulheres apagadas pela história da arte em mostras, Marie ClaireDuas exposições no MASP exaltam o protagonismo feminino, Casa e JardimFeminino feminista: MASP abre as portas para expos feitas exclusivamente por elas, BAZAARCinco artistas imperdíveis na mostra Histórias das mulheres, Arte que Acontece


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		<title>Mulheres à frente</title>
				
		<link>https://marianaleme.cargo.site/Mulheres-a-frente</link>

		<pubDate>Thu, 05 Aug 2021 17:54:44 +0000</pubDate>

		<dc:creator>Mariana Leme</dc:creator>

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Acervo em transformação: mulheres à frente
5 a 10 de março de 2019

Museu de Arte de São Paulo, MASP

com Olivia Ardui, Camila Bechelany, Paula Coelho, Bianca Gonçalves, Ana Luiza Maccari, Maria Carolina Maia, Marina Moura, Nalu Maria de Medeiros, Tarsila Oliveira, Juliana Peixoto, Indrani Taccari, Erika Uehara, Cecília Winter e Juliana Ziebell
Em março de 2019, um grupo de mulheres trabalhadoras do MASP propôs uma inversão nas obras da exposição de longa duração, que ocupa o segundo andar do museu. Esse gesto, além de destacar a produção das artistas mulheres, também chama a atenção para o desequilíbrio que existe entre o número de artistas homens e o número de artistas mulheres que há nesta exposição, um reflexo da coleção do museu.
 
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Fotos: Juliana Ziebell


Acervo em transformação é a exposição de longa duração que traz uma seleção de obras da coleção do MASP. A característica marcante da mostra é estar em constante modificação, com a entrada e saída de obras em razão de empréstimos, novas aquisições e rotatividade, por isso o seu título. Nesse sentido, oferecemos uma planta-folheto com a localização das obras e a data em que foi realizada a última “transformação”.Uma singularidade desta mostra é o uso dos cavaletes de vidro, sistema radical de expor obras, concebido especialmente para este espaço por Lina Bo Bardi (1914-1992), também autora deste edifício, inaugurado em 1968. Retirar as obras da parede e colocá-las nos cavaletes possibilita um encontro mais próximo do público com esses trabalhos. As legendas, que trazem os dados das obras, foram instaladas no verso dos cavaletes, pois a ideia original de Lina era de que o primeiro encontro do visitante com os trabalhos fosse mais direto, livre de contextualizações e de informações de autoria, título e data. Nos cavaletes, as obras parecem suspensas no ar e, em uma galeria ampla e sem paredes, o visitante caminha por uma espécie de “floresta” de quadros. O público é assim levado a construir seus próprios caminhos, o que permite justaposições inesperadas e diálogos entre arte africana, brasileira, latino-americana e europeia. A galeria aberta, fluida, transparente e permeável oferece múltiplas possibilidades de acesso e leitura, elimina hierarquias, roteiros predeterminados e convida o espectador a entrar em contato com diversas histórias da arte.Na semana do dia internacional da mulher — 8 de março —, as obras dos artistas homens serão instaladas no verso dos cavaletes. Esse gesto, além de destacar a produção das artistas mulheres, também chama a atenção para o desequilíbrio que existe entre o número de artistas homens e o número de artistas mulheres que há nesta exposição, um reflexo da coleção do museu. O coletivo de artistas estadunidense Guerrilla Girls realizou uma exposição no MASP em 2017 e criou um cartaz, aqui exposto, que aborda essa disparidade e sinaliza a necessidade de uma resposta da instituição para essas questões. As constantes transformações da exposição procuram também fortalecer a presença de artistas mulheres nesta galeria. O atual percentual dessas artistas em exposição é constantemente atualizado na planta-folheto, em contraposição aos 6% observados pelas Guerrilla Girls em outubro de 2017. Essa iniciativa ganha relevância particular no ano em que toda a programação do Museu é dedicada às Histórias das mulheres e às Histórias feministas.O caráter vivo e dinâmico do Acervo em transformação se desdobrou em um programa de intercâmbios com museus do mundo todo. Desde 2018, a cada ano, o Museu vai mostrar uma seleção de obras de uma instituição parceira nos cavaletes, em diálogo com nosso acervo. Depois da Tate em 2018, a partir de 4 de abril de 2019, o MASP apresenta, por nove meses, dezoito obras do Museu de Arte Contemporânea de Chicago.


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		<title>Pedro Figari: nostalgias africanas</title>
				
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		<pubDate>Tue, 25 Dec 2018 17:57:29 +0000</pubDate>

		<dc:creator>Mariana Leme</dc:creator>

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Pedro Figari: nostalgias africanas


com Pablo Thiago Rocca14 de dezembro de 2018 - 10 de fevereiro de 2019

Museu de Arte de São Paulo, MASP21 de março – 26 de maio de 2019Museo Nacional de Artes Visuales, MNAV



 
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Fotos : Eduardo Ortega




Pedro Figari: nostalgias africanas



Esta exposição apresenta uma seleção de 63 obras que retratam as populações afro‑uruguaias como foram imaginadas pelo advogado, político e artista Pedro Figari (1861‑1938). O título se refere também a uma de suas pinturas. Para além da natureza, do erotismo e do mundo do trabalho, Figari representa as populações negras de seu país através de cenas da vida comum, que revelam a complexidade dos modos de vida daquelas pessoas. Morando em Paris nos anos 1920 e 1930, o artista desenvolveu um trabalho em pintura marcado por pinceladas expressivas. Este estilo ao mesmo tempo confere imprecisão ao desenho das figuras e seus rostos, e um sentido forte de coletividade às cenas, como se todos os elementos estivessem num mesmo plano simbólico. Filho de imigrantes genoveses, Figari é o único artista branco que recebe uma exposição no MASP em 2018, no contexto de um ano todo da programação dedicado às histórias afro‑atlânticas, em torno dos “fluxos e refluxos” entre a África e as Américas, o Caribe, e também a Europa. 

A exposição se divide em seis conjuntos que desdobram o tema do cotidiano. No primeiro deles estão as danças e festividades, sendo a mais importante o candombe — dança emblemática das populações afro‑uruguaias, praticada em grupo, ao som de tambores. O segundo conjunto apresenta o Dia de Reis, comemoração híbrida da festa católica dos Reis Magos, em pleno carnaval. As cenas que compõem o terceiro conjunto se passam no interior dos conventillos, habitações coletivas que floresceram em Montevidéu entre o final do século 19 e início do 20. No quarto conjunto estão os casamentos, e no quinto, as solenidades fúnebres. Instituição tão funesta quanto a própria morte, a escravidão é representada no sexto conjunto. O Uruguai foi aboliu a escravidão em 1842, 19 anos antes do nascimento de Figari e 46 anos antes de ser abolida no Brasil. 

A rica cultura afro-uruguaia representa a memória dos africanos forçados a migrar e escravizados na região, e também se constitui como importante resistência cultural, que unifica a comunidade e constrói sua identidade em oposição aos ideais racistas propostos pela sociedade colonial. Figari tinha consciência da invisibilização a que os negros de seu país eram submetidos e se empenhou em criar imagens vivas daquelas populações. 

A exposição de Pedro Figari reafirma a importância desse pintor para a modernidade latino-americana e é organizada pelo MASP, em parceria com o Museo Nacional de Artes Visuales e o Museo Figari, de Montevidéu.





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Imprensa
A nostalgia de Figari, O Estado de S. Paulo
Masp termina seu ano afro com exposição do uruguaio Pedro Figari, Folha de S.PauloMASP reúne obras da cultura africana no Uruguai, Cultura FMRetrospectiva de Pedro Figari recupera o Uruguai africano no Masp, O Estado de S. Paulo


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